um furacão e uma mariposa

2 de novembro de 2011 § Deixe um comentário

Os pingos de chuva tamborilavam na janela de madeira como ponteiros de um relógio caminhando compulsivamente sobre os números, tique-taque-tique-taque… O tempo não é justo, você sabe. Ele passa depressa quando quer, e de vez em quando faz questão de se demorar, só pra ver até onde o motor aguenta. E tinha aquela música, ah!, aquela música. Ela tornava tudo mais bonito, mais triste. Sim, porque tristeza e beleza são quase como sinônimos.

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eu que não fumo queria um cigarro, eu que não amo você

30 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Os lábios pintados de vermelho deixaram no copo a marca do adeus. Ele admirava aquela cena triste como quem ouve uma canção reveladora: a verdade ali, parada, diante de seus olhos. Ele quase podia tocá-la. Quase. Por que era sempre o quase que o separava de tudo? O inverno amargo invadia o quarto pela porta que ela deixara aberta. Ainda ouvia o som dos gritos, o som dos passos – os sapatos de salto martelando o piso de madeira, como as palavras martelavam sua cabeça. Quando foi que a vida resolveu se tornar essa coisa bagunçada? Tudo bem. A noite há de cair, como hão de cair as lágrimas. A noite há de cair sobre suas pestanas molhadas, e onde está a tal da dor? Entorpecido demais, não era capaz de senti-la. Quando estiver menos ébrio, quando a lucidez decidir voltar da rua, quando a verdade se der conta de quão tarde é, ele vai notar. Vai notar a falta, o espaço todo que a ausência ocupa.

Onde estou?

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