1 de abril de 2012 § 2 Comentários

Vamos fazer um trato? Eu te gosto bastante e você me gosta de volta.

Eu te gravo fitas k7’s do Elvis e você me vem com seus CDs do The Cure, The Strokes e companhia, todas aquelas bandas de rock que vão me fazer esquecer Engenheiros depressinha.

Eu te faço discursos demorados sobre clássicos literários, você narra as partidas de futebol por cima da voz do comentarista, grita e canta quando seu time faz gol e xinga o adversário com todos aqueles palavrões que eu não conheço e você faz questão de me ensinar (mas não me permite usar). Tudo isso num domingo bem largo e chuvoso, a gente só de pijama folgado deitado no sofá da sala, as pernas uma por cima da outra, os braços entrelaçados e os rostos colados, o cheirinho bom de gente que só quem é amado tem. Você me ensina as frases mais obscenas em alemão, eu te explico minhas teorias espirituais absurdas, a gente dá as mãos e vai junto pra Igreja de manhã, ouve o padre e reza quieto, sem saber direito se aquilo faz sentido ou não. Você tira fotos espontâneas, eu vou lá e deleto tudo. Eu escrevo textos bobos, você vai lá e lê tudo. Eu mexo nas suas coisas, tiro os cadernos do lugar, você só ri e arruma de novo, porque no fundo é mais metódico que eu. A gente pede pizza porque uma vida saudável não compensa, mas compensa tudo na academia porque nossos rostos não são tão bonitos pra não precisar de um corpo que faça valer a pena. Eu acho sua barba mal feita um charme, você gosta do meu cabelo bagunçado – ou mente, só pra me fazer feliz. Eu fico feliz. Simples assim, perfeito assim. Eu tocando violão, você rabiscando as paredes feito criança. Eu vendo novela, você lendo a sessão de política no jornal. Eu te corrigindo gramaticalmente, você refazendo as contas porque eu sou impossível com números, a gente sabe. Quando chega a noite eu reclamo da vida, você me lembra o porque de’u ainda insistir nela, e nós dois dormimos feito pedra no carpete. Mas feito pedras felizes.

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