paz e chuva e um sofá desbotado

3 de março de 2013 § 5 Comentários

Mas eu queria começar o texto com uma conjunção.

Deitados no sofá da sala, já todo velho e surrado e de um vermelho desbotado que se confundia com marrom, os corpos semi-nus também se confundiam numa tentativa falha de descobrir onde começava e onde terminava cada braço, cada abraço e cada perna. Em algum momento entre o começo e o fim (leia-se meio), os olhos dele se encheram de água e se tornaram transparentes. Os olhos dela se encheram de medo, acompanhado de um desejo que a fazia sentir adulta, madura e gigantesca, e por alguns instantes ela acreditou que entenderia. Não que houvesse algo a se entender – provavelmente não havia. Só gostava de pensar que presa no meio dos pelos dos braços dele estava completa e plena, e cheia das respostas que satisfaziam não só a libido, mas também o questionário imenso que a perseguia por corredores e arredores. Era o toque dele que preenchia a ausência hospedada em seu ser. Ser. Repetia as palavras como se fosse eco (eco), e pronunciava baixinho o nome dele. Não tinha cara de Márcio, tinha cara de Antônio – como um Antônio Banderas. Tinha cara de homem latino e bruto, uma face enrugadinha que se distorcia e amaciava, conforme ia sendo acariciada e moldada pelas mãos delicadas da moça. Márcio Antônio Banderas. Márcio Antônio. Queria lhe dar de presente um nome composto, que ela poderia desmembrar à vontade quando se sentisse carente. Queria dividi-lo em dois, um Márcio feroz e rebelde para as discussões calorosas, um Antônio brando e pacífico para as noites sem lua. Ele costumava dizer que seus olhos eram feitos de lua minguante – uma luz apaziguadora e oblíqua, que nunca se revelava por inteiro. Ia recordando cada verso dito e recortando o que fora escrito nas entrelinhas da conversa calada, enquanto suas lágrimas choviam por sobre o peito (já molhado) dele. Sal e suor, a correnteza seguia tranquila por sobre a epiderme pálida, como um rio segue seu curso sem se deixar deter por ninguém. Não se sentia triste – mas queria chorar. Queria devolver uma parte do que lhe fora entregue, uma parte de toda a força e de todo o amor. (E ainda que detestasse pensar em amor, e detestasse dizer ‘amor’, e detestasse se ver como uma personagem lindamente descabelada de Julia Roberts que se faz de durona metade da trama e depois descobre, ao som de Phil Collins, que é capaz de amar e superar seus temores, tinha que admitir: era amor). Queria que suas lágrimas penetrassem na pele dele, se infiltrassem no sangue e se misturassem à alma – queria ser tão ele quanto ele seria ela. Queria uma união de corpos e espíritos. Queria uma distância ainda menor do que a que já existia. Queria tanto, e nem sabia. E por não saber deixava as gotas rolarem como dados, lavando o corpo suado que vinha grudado ao seu próprio corpo suado. Corpo suado. Desmembrou mais uma meia dúzia de palavras antes de resolver se preparar para cair no sono. 

Lambeu os lábios dele. Tinham gosto de paz e de chuva, e de uma confissão que ela mesma não se atrevera a fazer. Sorriu um sorriso que tinha a pretensão de ser tão minguante quanto os olhos, e penteou com os dedos os cabelos escuros que lhe caiam por sobre os olhos adormecidos.

– Eu te amo, Márcio Antônio. Te amo, e amo seus olhos transparentes.

Dormiu.

 

 

ps: eu amo essa música. escutem e a amem também.

ps2: vai tocar no meu casamento. 

ps3: não é legal a forma como ‘amem’ se parece com ‘amém’? não? ok.

16 de agosto de 2012 § 8 Comentários

Fernando esfregou as costas da mão no nariz – havia sangue.

Muito sangue.

Devia ter ficado em casa. Não devia ter nem saído da cama. Por que bebeu tanto? Por que era tão esquentado? Por que pontos de interrogação soavam tão falsos? Tocou o interfone, os dedos vermelhos manchando os botões rijos que ele apertava insistentemente. ‘Que merda, por que não atende’, e se interrompeu antes de pontuar. Em algum cômodo mal-iluminado de um dos apartamentos daquele prédio achatado, Julia dormia. Ou talvez ainda estivesse acordada. Mas se estivesse, atenderia. Então, havia mais alguém – e era esse ‘mais’ atrevido e peludo que o atormentava. Claro. Um homem. Um homem de meia idade que ela encontrava secretamente, porque achava poético andar por ai acompanhada de um pai divorciado, já meio grisalho e que preferiria café à bebida alcoólica. Um marmanjo qualquer que tenha sorriso amarelo e goste de Chico Buarque. Babaca, do jeitinho que ela queria; a barriguinha proeminente e as costas largas, o sotaque imitando o de um ator espanhol mal-pago. Apertou os botões com força, mal enxergava os números que foram sendo apagados pelo tempo e pelos dedos e pelas doses. O sangue agora entrava indecente pelos lábios esbranquiçados.

– Pois não?

Não era voz de homem, era a voz de Julia. Meio desacordada, meio irritada, meio curiosa, e não havia tanto inteiro para haver tanta metade.

– Ju? Ju? Julia, me deixa entrar.

Não respondeu. Fernando ouviu o som do portão sendo destrancado, abriu-o depressa, fechou-o com brutalidade. Por algum motivo ele estava sempre com raiva, sempre com medo. Por algum motivo ele havia roubado uma bicicleta, e agora estava morrendo de vontade de roubar aquela voz sonolenta, de grudar sua boca ensanguentada na dela.

Foi subindo os degraus, eram tantos e ele nunca aprendera a contar. Não realmente, pelo menos. ‘Quem garante?’, ele dizia. Não queria dizer nada, embora as sobrancelhas se franzissem como se estivesse diante da questão fundamental da vida. ‘Você quer respostas, mas nem sabe qual a pergunta’, ele a ouviu gritar noutro dia. Julia gritava muita coisa, mas ele só prestava atenção naquilo que pudesse deixá-lo entretido mais tarde, quando não poderia tê-la. Talvez a coisa mais bonita que já a ouvira dizer fosse ‘plaquetas’.

– Ai. Meu. Deus.

Subiu o olhar vago – mas não muito, ela era pequena. Alcançou a expressão assustada, os dedos brancos e finos tapando a boca, quase como se com eles impedisse as palavras erradas de escapar.

– …Oi.

– Tem sangue saindo do seu nariz. E da sua boca.

Ele assentiu.

– É. Eu senti o gosto.

Julia se aproximou, colocando os braços magros por debaixo das axilas dele. Estava suado. Fedia bebida. Carregou-o para dentro do apartamento, que não cheirava a homem nem a cigarro, para o alívio de Fernando. Pela primeira vez naquele dia um sorriso largo apareceu, e os dentes ligeiramente tortos eram rubros como os cabelos dela.

– Você vai tomar um banho. E vai me explicar isso tudo. Onde dói?

Ele se sentou no sofá. Não queria sujar a mobília, nem empestar a casa com seu cheiro – mas a gente passa a vida querendo coisas, e metade delas nunca deixa de ser desejo. – A cabeça. E os joelhos.

Estavam ralados. Ele havia caído.

– Como aconteceu, dessa vez?

Ia contar do roubo, mas era complicado. Era complicado justamente por ser simples demais. ‘Sou um idiota, um bandido, um ladrão. Eu roubei. Eu caí. E depois me envolvi numa briga.’ Não tinha total controle sobre a língua, ou sobre sua própria língua, ou sobre qualquer coisa. Não queria explicar, não queria enfrentar aquele olhar azul que era doce como o céu primaveril, mas num piscar das pálpebras rodeadas de longos cílios se tornava impiedoso e atormentado. Ficou quieto. Chegou mais perto. Ela tinha cheiro de banho e de perdão – tinha cheiro de Julia.

– Eu vou cuidar disso. Espera ai.

Ele segurou a barra de sua saia, antes que se virasse e fosse embora. Seus dedos ficaram parados ali, hesitantes mas insistentes. Julia ficou de joelhos, no chão. Passou as mãos pelos cabelos dele, depois contornou com as unhas a barba mal-feita. Aquela história era cheia de meios e maus, e ele sabia que não conhecia o propósito, nem o fim. Pouco a pouco, seus rostos foram se aproximando, e o coração batendo mais rápido, e a culpa se desvanecendo, e as interrogações dando espaço para as reticências de um penúltimo capítulo. Pouco a pouco, o som de sua respiração foi entrando no ritmo conturbado da dela, e ele já não sabia dizer quem era quem. O sangue ainda escorria pelo rosto – era uma visão desprezível e nojenta. Julia podia dar o nome que quisesse – mas ainda seria amor.

das utopias

11 de agosto de 2012 § 4 Comentários

Pietra revirou os olhos – eles nunca pareceram tão grandes e castanhos.

Lorenzo a classificava como uma daquelas pessoas que não têm a boca circundada pelos lábios, e guardam secretamente o buraco negro da alma disfarçado de olhar, transbordando em ebriedade pelos cílios selvagens, escorrendo delicadamente pela face. Se tivesse que a beijar, seria nos olhos. “Se tivesse que a beijar”, repetiu para si mesmo, e a ideia soou desconfortável, mas convidativa. Havia uma razão para querê-la tanto, embora ainda não estivesse certo de qual era.

Estavam tão perto um do outro que ele podia ouvir Pietra respirando. O som quase inaudível ia e vinha acelerado, num ritmo de poema que Lorenzo gostaria de poder recitar. Seu braço estava ao redor dos ombros estreitos dela, e ele sabia que seus dedos frios a estavam incomodando, mesmo que ela não admitisse. A verdade era crua como a noite que pairava sobre suas cabeças: tudo o que os dois tinham era a frieza do corpo alheio. Numa quinta-feira silenciosa e insensata como aquela, alguns anos atrás, ela disse que nunca mais se apaixonaria. ‘Ainda bem que nós não nos gostamos’, ele concordou. Ainda bem.

– O que eu mais gosto nas estrelas é o som.

O que Lorenzo mais gostava em Pietra era o nome. E a forma como ela soava absurda. Por mais que soubesse o que viria a seguir, não se conteve e lhe deu a brecha: – Que som?

– O som silencioso. Você sabe. Essa coisa pacífica que não pode ser descrita nem entendida. Tão distantes e pequenas, elas ainda brilham.  Tão distantes e pequenas, elas ainda servem de inspiração e conforto pra gente que não tem luz própria. Gente como eu.

O que ele mais gostava nas estrelas era o mistério. Por amar tanto tudo o que tinha a ver com elas, sabia que não poderia ler nem sequer um livro repleto de teorias e explicações – isso estragaria tudo. Gostava de acreditar que elas eram apenas buracos cravados com unha no tecido escuro do céu. Buracos que revelavam indiscretamente um pouco do que havia lá fora.

– Senti falta disso.

– Do quê? – ela se virou, e ele mal podia enxergar seu rosto pálido no ébano noturno.

Tudo o que Pietra sentiu depois disso foi o gosto dos lábios sujos de amora.

“Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!”

mais uma de amor – e se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer

5 de junho de 2012 § 2 Comentários

Mas eu gosto de todas as pequenas coisas a seu respeito, todas aquelas pelas quais você se crucifica e lamenta.

A cor indefinida dos olhos. O sorriso largo e sarcástico, que escapa sem consentimento, sai disperso e satisfeito, a gargalhada que se segue, tão liberta e tão tímida. A voz envelhecida, quase tanto quanto o rosto. Cada linha que se ramifica, cada desalinho das sobrancelhas grossas, o ângulo perfeito do nariz, as costas largas, as mãos sujas de tinta. Os dedos e as unhas, e os pulsos. Os pulsos. O pescoço. Você flui como música, soa como poesia. Rude feito bicho, uma delicadeza forçada que não convence – cada passo um sacrifício, mesmo harmonioso segue pesado, o mundo erguido por sobre os ombros másculos. Eu não mudaria nada. Cada palavra toca tão fundo, como um tiro em direção ao peito. Não sou à prova de balas, tenho ódio de exclamações e medo dos pronomes pessoais. Mas só um pouco. Você me faz perder os medos, e eu tenho tanto medo de te perder. Tudo contraditório, só não me deixe ser, não me deixe ver, porque o mundo faz mais sentido quando a gente não entende, entende? Eu gosto mesmo é do seu gosto musical. Gosto mesmo é dos olhos – mas eu já disse isso. Quatrocentas e quarenta e sete vezes, em silêncio. Gosto de chaves e gosto de Elvis.

o horror do amor e violetas

5 de junho de 2012 § Deixe um comentário

Ela daria à Maria Alice a doçura daquele olhar vasto e manso.

Só não sabia como.

O quarto cheirava à velório. E ela nem sabia se devia ou não usar crase. Quanto tempo estática observando a formiga dançar trôpega ao redor do caule da flor? Talvez tenham sido dezenas de milhares de anos. E ela ainda o amava.

Tinha que anotar aquilo, se não se esqueceria mais tarde. Não, não a parte do amor, só a doçura do olhar vasto e manso. Foi isso? Foi isso o que o vento assobiou no seu ouvido? O cheiro de velório trazia consigo a dor de cabeça. Doce feito a doçura do olhar, feito bala de coco ou qualquer outra coisa doce. Ela sentia o gosto na boca, quase como se pudesse mordiscar o ar. E lá fora a moça do olhar segredado cortava a grama, tão tranquila e tão serena que era quase como se o mundo fosse apenas o pano de fundo – ela era a protagonista da vida, por que os carros não param e observam?

O poema estava jogado em cima da mesa, encoberto pelos livros e pelos cálculos. Ela tinha que escrever a história, ou a história trataria de se escrever sozinha, passando como um trator por cima dela. Você sabe o que acontece quando a gente ignora uma coisa dessas. Seja lá o que aconteça.

E a moça cortando a grama.

Se seu pai não tivesse matado as aulas de Português aquilo estaria em melhores condições. Mas lá estava ela, tentando decifrar com que seus cabelos se pareciam. “Seus cabelos são macios como as….” Como as? Como as o quê do mar? As ondas? Sete letras, uma caligrafia terrível. Não eram como as ondas, definitivamente.

O que a respeito do mar haveria de ser macio? Talvez devesse ignorar essa parte, usaria só a analogia da maçã. O fruto do pecado, isso renderia tanta coisa. Mas ficaria para mais tarde, no momento estava ocupada com a formiga. Sobe e desce e nunca se vai, nunca se cansa. No que pensa enquanto percorre depressa os dedos brancos e gorduchos? Ela tinha uma vontade de escrever gorduchos com x… quase como se isso pudesse deixá-los mais gordos. Usaria a analogia da maçã;

Olhou pela janela e a moça do cortador de grama tinha ido embora, sem nem se despedir. O sol tingia as árvores de um ruivo natalino – quem disse que seus cabelos tinham cheiro de Natal? Largou a flor desmilinguida em cima da cama e foi atrás do poema, mas se distraiu com a fotografia da turma pregada na parede amarelada pelo tempo. Por onde ele andou enquanto ela o procurava?

8 de maio de 2012 § 2 Comentários

Eles estavam tão perto do céu que ela sentia como se pudesse agarrar um pedaço da nuvem que pairava por sobre suas cabeças e prová-la, caso ficasse na ponta dos pés e estendesse uma das mãos.

Então era verdade. Aquilo que diziam, sobre se rever toda a vida quando está prestes a morrer. Ela poderia morrer ali, naquele instante, de tanta felicidade. Não é justo, ela pensava. Não é justo eu estar tão feliz agora, enquanto há tanta gente triste por ai. Queria dividir sua felicidade com o mundo, de alguma maneira. Queria abrir a boca pintada de vermelho e gritar, lá de cima, para a cidade empoeirada que se confundia lá embaixo num emaranhado de cabeças e reflexões obscuras um pedacinho da música que cantarolava interiormente enquanto eles andavam até o prédio – mas ela não o fez, porque o silêncio que tardara a chegar estava agora num momento pleno, e qualquer ruído estragaria tudo.

Ficou parada, buscando o fundo dos olhos negros. O que se passava diante dela não eram as primeiras palavras, os primeiros gestos, o primeiro dia na escola ou as longas conversas com a mãe, nas quais ela dizia que não deveria andar com Gustavo. O que ela via era a tarde fria do fim de outono que passara junto dele, os dois andando de bicicleta, com os cachecóis esvoaçantes, reclamando dos pais. A noite de formatura em que dançaram mesmo quando não havia música, ele disse que ela estava linda e ela disse que era mentira – embora soubesse que não era. A primeira briga, e depois a segunda, e todas as outras que sempre terminavam com um longo telefonema, o pedido de desculpa e a respiração ofegante. Era tão fácil perder quando se tratava dele – perdia o fôlego, o ritmo, o controle e a distinção. Como se sua vida fosse apenas (mas isso era tanto) o que vivera com ele. Antes disso ela só dormia, uma espera infinita que tivera fim – e todo fim era começo, ela lhe deu a mão gelada e ele a segurou firme. “Se pra te ganhar eu tiver de perder todo o resto, eu perco“.

O vento soprou forte e ela chegou perto. Não gostava da forma como ele deixava o cabelo, comprido daquele jeito, mas não ia dizer nada, porque não tinha importância. Talvez um dia ela olhasse e até achasse gracioso. Até lá ia espiar com um meio sorriso no rosto, aquele olhar de desaprovação que ele adorava. Fazia de propósito, era a forma mais eficaz de chamar-lhe a atenção. Era engraçado porque ela sabia desde o início, desde o dia em que ele chegou com mala e cuia à casa ao lado, desde o dia em que colocou seus CDs criticados no aparelho de som e se tornou alvo dos comentários maldosos da mãe. Era tão previsível, como ela poderia não amá-lo? E de repente era óbvio e simples, os dois juntos, como devia ser. Se ele pudesse ao menos permanecer para sempre – ela gostaria de eternizá-lo, de dormir naquele instante para levá-lo consigo. Se ao menos ela fizesse nevar.

Balões coloriram o céu cinza. Seus olhos e seus braços estavam abertos, e estava tudo bem. A brisa secou-lhe o rosto. “Mas eu sabia desde o início“.

 

ps: ah, certo. Não tem ps. É que eu me acostumei…

ps2: tem sim. Essa música é bonita demais pra ter sido escrita por um mortal. Aposto que esse cara é um semideus disfarçado. Hm..

ps3: só me ignorem (:

10 de abril de 2012 § Deixe um comentário

Estava perdidamente perdida no sorriso primaveril dos olhos dele.

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