with drops of jupiter in her hair

22 de maio de 2012 § 3 Comentários

– Quando você volta?

– Dentro de alguns dias…

– Quantos?

– Como?

– Quantos dias?

– Alguns.

– O que é alguns pra você?

– Alguns é alguns pra todo mundo.

– Eu sinto sua falta.

– Eu sinto saudade. Mas aqui é tão bonito…

– Tem vontade de ficar?

– Pra sempre?

– É.

– Um pouco. Mas é só vontade.

– Então você volta?

– Claro. É só vontade, mesmo.

– Como é Júpiter?

– Frio. Meus dedos estão arroxeados agora.

– Seus dedos estão sempre arroxeados.

– É, acho que é da natureza deles.

– Como está o céu?

– Agora?

– Uhum.

– Escuro. E cheio de estrelas.

– Eu tenho uma ótima teoria.

– Sobre estrelas?

– É.

– Ótimas teorias costumam estar erradas…

– Mas ainda são ótimas teorias.

– Você quer me contar?

– Quero. Um dia. Quando você voltar;

– Tudo bem. Eu gosto das suas teorias. E gosto de gostar de estrelas sem sabê-las.

– Por que eu só entendo metade do que você fala?

– Porque a dúvida é o preço da pureza, coelho.

– Foi o que eu disse. Como são os anéis?

– Grandes. E molhados. Eu levaria alguns pra você, mas são tão pesados…

– E as pesso… Desculpe. Esqueci que eles não gostam de ser chamados de…você sabe.

– Ah, tudo bem. Não tem ninguém por perto. Eles são simpáticos. E não são pesados. E falam feito loucos. Você ia gostar.

– É. Aposto que sim. Eu tenho que desligar. Eu te amo.

– Eu também tenho que ir. Ligações interplanetárias são caras. Mzuzu Chingadure.

– Saúde.

– Não. Mzuzu Chingadure é ‘eu te amo’ em jupiteriano.

– Você tem estudado?

– Só o que é importante.

– Tão bonita. Muzuzu Chingaduri, Pam.

– Sua pronúncia é horrível (ela ri). Eu gosto. Adeus.

– Adeus. E não se apaixone por uma estrela cadente.

– Eu não poderia. Já me apaixonei pelo que pedi a ela.

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5 de fevereiro de 2012 § Deixe um comentário

Sabe quando o mundo começa a te dar claustrofobia?

Eu sinto que preciso de um lugar maior, maior que tudo isso. Um lugar onde minh’alma (se é que isso de alma existe) possa repousar tranquila, voar livre leve e solta, cantarolar músicas do Elvis e se sentir única no meio de um vazio colorido que cheire algodão-doce (algodão-doce tem cheiro?). Sinto como se meu corpo fosse pequeno demais para o que carrego aqui dentro. Uma vontade de mergulhar na imensidão do mar, ir até o fundo, onde falta luz, barulho e oxigênio. Misturar-me às gotas de água, aos peixes, às algas. Misturar-me e me tornar uma coisa só. Vontade de voar até as estrelas, quem sabe até um buraco-negro, e ser sugada por ele, sumir, desaparecer, diluir-me num nada, num inexistente, porque não existir soa bem mais fácil. Uma necessidade de não ser, entende? Não. Não entendo. Mas às vezes é melhor não entender.

esperei chegar a hora certa por acreditar que ela viria

7 de novembro de 2011 § Deixe um comentário

E parecia que era minha aquela solidão.

Olhei nos olhos dele, olhos de cão sem dono. Minha vontade era de pegá-lo no colo – vem, querido, me deixa cuidar de você, me deixa ninar você. Mas era pedir demais. Os olhos se fecharam, mas não dormiam. Sabia que estavam acordados lá dentro, mergulhados naqueles pensamentos que viam a vida como mais uma decepção. Que eu faço pra te tirar desse pesadelo que é estar desperto? Abre os olhos, menino, me deixa perder meu rastro no fundo desse mar escuro. Se eu pudesse trocava de casa com você, vem morar na minha alma que eu vou ai sentir um pouco da dor que há na sua. Às vezes dividir o peso do mundo faz bem.

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