Maria e a mariposa

1 de fevereiro de 2012 § Deixe um comentário

Maria sentou-se ali, desejando ser como a mariposa cinzenta que dançava ao redor da lâmpada acesa. Abrir as asas escuras e voar livre por ai, longe dos olhos alheios, longe dos protestos silenciosos e longe de qualquer lugar habitado por gente. Desejou poder subir tão alto a ponto de se confundir com a escuridão do céu noturno, e amanhecer com a manhã, o sol trazendo consigo uma felicidade que ela desconhecia. Desejou esquecer-se de tudo, de todos, de si própria, por um instante, uma eternidade. Desejou ser apenas um inseto insignificante, que não tinha obrigação nenhuma de saber quem era, porquê era, ou para onde ia. Apenas uma mariposa, marido, esposa, uma borboleta sem antenas finas e desenhos coloridos nas asas delicadas. Mariavôa, uma coisinha de nada que se encantava com qualquer vestígio de luz.

Um estalo. A mãe de Maria matou a mariposa, jogando pela janela os restos de sonho da menina.

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