nota dó.

6 de dezembro de 2012 § Deixe um comentário

Era um silêncio que falava alto.

Um silêncio que tinha nome, sobrenome, endereço e CPF.  Um silêncio que ela reconheceria de longe.

Os olhos rodopiaram dentro das órbitas, caminharam pelas ruas do mundo e pelas paredes do quarto até que encontraram o alvo indiferente e recolhido – os círculos azuis que quando se enchiam de raiva adquiriam um tom sóbrio e quase cego; o mar brando e afável que ganhava força, vitalidade, tamanho e ironia, formava no horizonte a onda cinzenta e partia para cima dos cílios dela, chovendo violentamente. Rafael deu-lhe as costas brancas estampadas de hematomas, cobriu-se com os lençóis já desgastados e voltou a fumar, como se nada houvesse sido dito.

Ele não acreditava na ausência de sons, mas ela sabia que entre as linhas de seus corpos estavam escritas muitas coisas. Os olhares se cruzaram, amaram-se, embebedaram-se uns dos outros, foram cúmplices por segundos infindáveis e se separaram, no meio das palavras e dos gritos, das declarações barulhentas e mudas. Ela teria se aproximado, afastado o lençol, pedido desculpa. Teria atirado o cigarro no chão – claro que cuidadosamente, porque ao ver de Rafael qualquer gesto bruto era sinônimo de desamor – colado os lábios carnudos na boca cheirosa e seca e esquecido qualquer frase petulante que ele deixou correr pela bagunça do quarto. Teria transformado o futuro do pretérito em presente, dado a ele a vida e o seio de presente, a certeza de que aquele segundo efêmero teria durado anos, se não fossem as cicatrizes há muito deixadas no saguão. Seus dedos quase se tocavam, mas era clara a distância entre os dois. Ela teria de atravessar oceanos de lágrimas e álcool se quisesse sentir o gosto dele de novo. Ela teria de naufragar e morrer.

– Você sabe que eu te amo.

Ele não se mexeu. Ficou divagando, contornando o cigarro com os dedos enquanto os pés se esfregavam um no outro, fazendo barulho. Sentia frio. Era um frio de alma, do tipo que começa nos dedos e parte em direção ao coração, até que alcança os lábios e se transforma palavras duras.

– Eu só sei que não sei de nada, Dalva. Eu nem sei mais quem você é.

Ela quis revirar os olhos de novo. Quis lhe dar uma cotovelada. Quis cuspir naquele rosto feio, que era tão grotesco que lhe parecia lindo. Quis rasgar os lábios dele com os dentes, mas não era por causa do amor. Era a dor que lhe percorria as veias, nadava no meio do sangue e tomava conta de todos os desejos, de todas as ideias. Era o despeito que enchia sua mente de vontades, que se deitava a seu lado na cama, afastando os corpos antes que ela se atrevesse a cometer qualquer loucura.

– Então, por que veio?

– Porque eu te amo. E é isso o que nos diferencia. No meu caso é amor. No seu caso é diversão.

Dalva o analisava e percebia que ele se parecia muito com todas as personagens femininas detestáveis dos livros que ela lia. Aquele jeito de empinar o queixo, de coçar a orelha, de estreitar os ombros. Aquela hábito de se tornar mártir, de se ajoelhar diante dela e pedir perdão com os olhos, enquanto os lábios se abriam para acusá-la de crimes que ela nunca cometera. Ela não sabia o que dizer, e não sabia se queria dizer alguma coisa. Imaginava que talvez fosse melhor deixá-lo se zangar. Cutucar a ferida, irritá-lo mais. Talvez ele fosse embora e não telefonasse, não escrevesse, não aparecesse. Então ela poderia amá-lo direito, sem sentir nada. Então ela poderia suspirar diante de uma fotografia sépia, chorando lágrimas de arrependimento e murmurando um eterno adeus. Qualquer coisa seria melhor que um corpo frio e pálido preenchendo espaço naquela cama, se para tê-lo ali ela teria de aturar o drama.

– Eu te vi com outro homem, Dalva. Eu te vi com outro cara.

Os minutos seguintes foram mudos. Ela podia visualizar as lágrimas escorrendo pelo rosto dele, cautelosamente, na tentativa falha de não chamar atenção. Podia vê-lo apertar com força o cigarro, desejando colocar no meio dos lábios os lábios dela, mas estando ciente de que não haveria erro maior. Ela não entendia. Ele ligou, ele veio. No meio da noite, no meio do escuro, no meio da chuva e do calor insuportável. Ele a acolheu nos braços, e depois lhe emprestou os ombros. Mas de repente tudo o que ela via era a montanha coberta de neve, coberta de dores, e os insultos que ficavam claros através da forma como ele mirava insistentemente a parede amarela. Se ele sabia, se a havia visto… por que viera? Podia ter gritado pelo telefone, podia ter pichado o muro da casa dela. Podia sumir e nunca mais olhar dentro daqueles olhos escuros, mas preferiu voltar. Preferiu estar com ela durante a noite abafada, preferiu mostrar-lhe que a amava. E ela sabia. No fundo sabia que nada do que ele dissera era mentira, que a havia visto, que sabia a verdade, que com ele era amor e com ela outra coisa. Não diversão. Dalva sabia que havia mais. Mas aquele mais tinha outro nome, e para ele não bastaria.

Não havia explicação. Por mais que tentasse, não encontraria maneira de justificar, de amenizar a dor ou a culpa. O fato era apenas aquilo que demonstrava ser, a princípio: um fato. Ela pensou na palavra erro, mas estaria mentindo. Não se arrependia. Se houvesse forma de voltar no tempo, não mudaria o ato; mudaria as circunstâncias. Aquela não foi a primeira vez, e é claro que não seria a última. Era Dalva. Era mulher que se apaixonava por homens casados, degustadores de vinho e dinheiro. Estava já meio embriagada, e gostava de sentir o cheiro de Rafael. Gostava de pensar que era um pouco dele, e ele um pouco dela. O problema talvez morasse ai, no gosto por tantas coisas. Preferia que ele nunca tivesse visto, que nunca tivesse suspeitado. Tudo estaria bem, e ela não precisaria dormir até mais tarde para dar-lhe a opção de fugir e desaparecer pela manhã. Infelizmente, era cedo demais para mandá-lo embora, e o momento era importuno para mais uma canção de amor. Aquela era a despedida, e ela não se agacharia e beijaria a boca dele pela última vez, se era isso o que Rafael desejava. Apenas permaneceria naquele quarto, com a taça de vinho colocada em cima do criado-mudo, os pés descalços e meio sujos, os lábios vermelhos de batom e os cílios borrados de rímel. Apenas se levantaria, o nariz arrebitado, as pernas torneadas, e colocaria um CD do Nando Reis. “Nós vamos ver esse navio afundar ao som de um homem ruivo”. Ela soube, no minuto em que ele entrou naquele quarto, que seria uma noite quieta. Ela soube que não haveria paz. Ela não sabia que seria o fim.

Ela soube, no minuto em que ele a tocou pela primeira vez, que o que sentia era demasiado opulento para ser chamado de amor. Rafael não entenderia – aquilo nunca teve nada que se parecesse com diversão.

(o avesso)

6 de setembro de 2012 § 6 Comentários

Os dedos foram deslizando pela pele desnuda, desvendando devagar as cicatrizes discretas, descobrindo delicadamente  o que nunca fora escondido ou preservado ou coberto – seu corpo se estendia diante da luz diurna do olhar de Fabrício como o céu se abria por cima dela, sem segredos nem sarcasmo nem medo; apenas a crueza honesta e inconveniente, fria feito as palmas de suas mãos. Os pelos eriçados, os músculos contraídos, os olhos fechados. Havia a língua, havia a saliva e havia os dentes. Os olhos fechados. A luz apagada, não sabia se do lado de dentro ou do lado de fora (mas ela corria, apertava botões, esmagava interruptores – um abajur, uma lanterna, uma vela perfumada e uma canção francesa, qualquer coisa seria melhor que a escuridão completa e faminta, que roubava o ar e a fala). No meio do nada havia só a presença tímida das estrelas, que pouco a pouco se escondiam, colorindo a atmosfera com o gosto do hálito dele.  E só havia o cheiro. Rastejando pelo quarto, rasgando com as unhas (vermelhas) as cortinas (velhas), manchando de batom (vermelho) as paredes (de concreto). Entorpecente, esmagador, pesado e quente. Quente. Havia o cheiro, e era seco. Tinha o sabor vazio do sal, sugando dos lábios o sulco, deixando no lugar a sede. De novo Fabrício estava atirado aos pés dela, e seus braços a conduziam e dominavam, seus lábios e seus olhos insensatos suplicavam, seus cabelos no travesseiro e os arrependimentos na boca, escorrendo pelo queixo feito veneno – desciam pelo pescoço, pelo peito e pelos braços. Hipnotizado pelo vai e vem dos quadris, perdido no meio de tanta ausência de roupa, tanta presença de alma, ele se desculpava enquanto queimava – mas todo aquele fogo só podia vir do inferno. A culpa amamentando a consciência feito leite, nem o silêncio denso acalantava ou calava os lábios que se dividiam e se compartilhavam. Rachados em dois, eles proclamavam os versos – ‘não posso mais compartilhar seus lábios’. Em algum lugar no meio dos braços e das pernas havia lágrimas, doces feito mel mas carregadas feito nuvem (chovia). Não posso mais compartilhar seus lábios. Despido do orgulho e da coragem, ele era apenas uma criança acolhida no seio dela, alimentando-se de vida e sabendo que na manhã seguinte amontoaria suas coisas e partiria, partindo seu coração.

5 de agosto de 2012 § 4 Comentários

Ela poderia ser feliz, e ele nem saberia.

Sussurrou um adeus e foi embora, deixando as marcas de seus pezinhos molhados no chão, as lágrimas nos lençóis, a mancha de batom na borda copo. E por um instante ele desejou nunca tê-la conhecido. Desejou que todos os momentos bons fossem apagados, levados embora com a água que lhe descia dos olhos. Desejou que ela nunca tivesse cruzado seu caminho, que nunca tivesse lhe apresentado seu sorriso, que nunca tivesse invadido sua casa, sua cama, seu peito, seu coração.

edredons e dissabores

4 de julho de 2012 § 1 comentário

A tarde era branca – branca como o vazio.

Se era negra a ausência de cor, a ausência da voz era alva. E a palidez habitual dos dias aos poucos se metamorfoseava na brancura da pele dela, um deserto glacial envolto no manto estelar, a epiderme clara salpicada de luz, o caminhos das lágrimas pontilhado na bochecha esquerda. Vislumbrava seu rosto como se observasse uma espécie de santo; gostava de manter cada detalhe polido e intacto, o corpo esguio petrificado pelo tempo, o olhar felino imortalizado. Da última vez que a vira estava deitada na cama, as pernas magras e depiladas cobertas pelos lençóis amarelados até os joelhos. Balbuciava alguma coisa debilmente, mas, sem coragem, lucidez ou azar o bastante para formar frases com nexo, cerrou os lábios rachados e arroxeados (não sabia se pelo vinho ou se pelas amoras), e calou-se num adormecer tranquilo.

Ele era a ilha, desabitada, hostil, secreta. Ela era a sereia, infantil, esbelta e curiosa, como só uma mulher saberia ser. Dava voltas e voltas e voltas ao redor da areia dourada, o sol ardente a iluminar-lhe os cabelos negros, ele estático, pedra, barro, homem. Voltas e voltas e voltas e voltas. Talvez estivesse ficando bêbado. Tomou doses demais de vida, de paixão, de maré. Helena estendida na cama, a sereia se cansou de nadar. Nadava agora em sua sonolência, entorpecida pelo sabor da ebriedade. Como era bom não estar, não ser (!). Apenas um corpo que jaz sobre as almofadas, apenas um estorvo para os que despertam, ela não seria nada.

Teria prosseguido e lhe dado um beijo – a despedida silenciosa e amarga, com gosto de álcool e sal. O beijo que lhe devolveria a vida, roubando para sempre a dele. Mas não prosseguiu. Não a beijou. Permaneceu estático, com os olhos aflitos a vagar cautelosamente pelo cenário mórbido. Dentre tantas palavras ele escolhera a mais bonita, justamente para contrastar com o corpo desprovido de graça que, desfalecido, atirara-se ao oceano turbulento de edredons e dissabores. Cinco letras, começando com ‘a’.

minutos permanentes

28 de abril de 2012 § 4 Comentários

Ela disse que te viu por ai um dia desses, na padaria.

Eu até imagino o reencontro, seus olhos doces enfrentando o azedume do olhar dela. Se apaixonaram enquanto eu estive fora, durante todos esse anos? Vocês combinam, e sabem disso. Combinam de um jeito absurdo, assustador e esquisito, de um jeito tão abominável que chega a ser gracioso. Eu sabia que no fim ia ser assim, um esbarrão casual no supermercado, na lanchonete, na avenida… Uma troca carinhosa de olhares, de experiência, de vida. Uma noite juntos e pronto – vocês nasceram um para o outro. Você não gostava do cheiro que ela tinha. Você gosta agora?

É engraçado porque o tempo passa, as pessoas passam, e a gente continua a mesma coisa. Mesmo crescendo (não fisicamente, claro – ainda tenho a entrada permitida em brinquedos de criança e calço sapatos com numeração infantil),  mesmo mudando, no fundo só a mesma adolescente bobinha que cora quando você sorri. Você ainda é dono daquele sorriso. Você ainda é responsável pela vermelhidão. Você ainda me faz passar a noite imaginando como seria, ainda me faz brigar com ela por sua causa, ainda me faz vir até aqui e escrever bobagem, derramar nas páginas as palavras que eu não capaz de te cuspir na face. Eu te transformei em tanto personagem bandido, te fiz senhor de tanta paixão, dono de tanto coração. Ler um conto da Lygia e me enxergar ali, na pele da mulher alienada que se apaixona pelo modo como ele corre os dedos pelos cabelos escuros e ouvir John Mayer pensando que a letra se encaixa como que feita sob medida me arranha, eu me sinto um disco antigo que repete a mesma faixa incessantemente – você usava o cachecol? Usava o mesmo perfume? Um casaco azul escolhido ao acaso ou a blusa que tinha significado especial? Jogou aquela touca fora ou ainda desfila pelas ruas parecendo um mamão de feira? (Acho que aprendi a gostar de mamão. Mas isso não tem nada a ver com você)

E em cada detalhe você ficou. Em cada abraço não dado, e naquele último que foi o primeiro, eu queria apenas lembrar quais as palavras exatas, mas a memória me falha e talvez seja para o bem. Você foi um babaca. E depois foi um doce. Não necessariamente nessa ordem. Você usava seus olhos como objeto de caça – helicópteros de caça. Você estava menino, e agora deve estar um homem – mas eu queria que mantivesse a voz. Ela disse que foi educado, polido, distante. Ela disse que ainda andava de maneira impecável; disse que lhe deu um beijo no rosto e saiu depressa, tinha que ir trabalhar. E eu achei que você viveria às custas da riqueza do pai eternamente.Você faz o quê? Vende promessas? Eu talvez precise de mais algumas. Eu talvez precise de um adeus honesto, um adeus eterno, que acabe tudo, entende? Eu talvez te precise um pouco, por minutos permanentes. Talvez.

ps: eu não vou rasgar nem deletar nada que te envolva, você não tem direitos sobre o que me deixou, nem mesmo sobre as lágrimas e cicatrizes.

ps2: e eu só não te detesto porque você me deu coisas demais para amar. E o jeito como você se move é injusto, você sabe.

ps3: se um dia vocês dois se casarem, eu os processo por plágio. Já tinha escrito uma história assim há muito tempo.

(a)os olhos do pai

22 de abril de 2012 § Deixe um comentário

Lá da janela do terceiro andar ela assistia, cabisbaixa, à bagagem sendo colocada no porta-malas do carro. Apertou os olhos e duas lágrimas que pendiam dali se libertaram, percorrendo todo o rosto pálido até chegar aos lábios e amargarem a boca.

– Oi, bonita.

Maria Luíza bateu à porta, que já estava aberta, e sem esperar resposta entrou no quarto com seus cabelos molhados presos num rabo de cavalo alto, a expressão satisfeita de quem finalmente se via livre de um fardo – Lembra que papai costumava te chamar desse jeito? ‘Bonita’.

Gabriela limpou com as mangas da blusa a face, e depois de respirar fundo e reunir coragem se voltou para a meia-irmã – Eu não quero ir, mas também não quero ficar. Entende?

Maria Luíza ficou quieta. Sentou-se na cama feita ao lado de Gabriela e passou as mãos frias pelas costas descobertas. “Ele nunca escondeu que você era a preferida. Mesmo sendo a única ilegítima.” Teceu a palavra pelos caminhos tortuosos dos lábios, pensando em dizê-la alto – Ilegítima. É tudo que você é. Ilegítima. Mas ficou quieta. Sabia que nunca haveria de gritar a verdade, não seria necessário. Gabriela sabia daquilo tão bem quanto todos os outros. Talvez por isso desejasse tanto ir – mas do que adiantaria? O sangue que lhe regava o corpo seria o mesmo, ela morando ao lado das irmãs ou longe delas. Podia fugir de todos eles, podia fugir da casa, podia fugir do olhar arrependido da mãe, mas nunca escaparia de si mesma. Nunca escaparia do passado. Nunca.

– Mamãe já acordou?

– Ela pediu que eu dissesse adeus em nome dela. Foi se deitar tarde ontem à noite, estava com uma dor de cabeça terrível…

Gabriela ficou de pé. Embora estivesse magoada, não estava surpresa. Talvez, no fundo, até se sentisse aliviada. Não saberia o que dizer na despedida, não teria pelo que agradecer, a não ser pela liberdade e pelo direito de partir.

Pegou os livros que estavam em cima do criado-mudo, fechou a janela e deu um beijo no rosto iluminado da irmã.

– Adeus, Malu.

Maria Luíza deu-lhe um beliscão leve na bochecha molhada – Adeus, maninha.

Gabriela saiu do quarto, desceu as escadas e entrou no carro. Não havia ninguém lá fora além dos empregados. Iria embora da mesma forma como chegara (à casa, ao mundo, à vida) – sozinha.

Maria Luíza olhou de relance para a menina excessivamente magra que entrava no carro. Apagou as luzes.

17 de abril de 2012 § 6 Comentários

‘eu sinto que me conheço tão pouco’, declarou para o silêncio frio.

então agora se conheceria. prazer, meu nome é Fulana, eu gosto de rock, eu gosto de indie mas eu também gosto de música erudita – e gosto de dizer ‘erudita’. diz. é bom, não é? soa como um xingamento. sua erudita. é um pouco como dizer ‘decágono’, só que é diferente.

fim.

Onde estou?

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