dos olhos. de novo. mas dessa vez eles eram escuros.

21 de novembro de 2011 § Deixe um comentário

Não era, de fato, um homem bonito. E isso nada tinha a ver com critérios impostos pela sociedade, padrão de beleza atual ou opinião da maioria. Apenas não era bonito e pronto. Mas havia algo a respeito dele, a forma como sorria? Não tinha certeza. Marina podia passar a vida inteira parada ali, diante daquele rosto, e não teria como dizer o que a fazia sentir daquela maneira.

Talvez fossem os olhos. São as janelas da alma, talvez tivesse uma alma bonita. E eis a razão pela qual seus olhos a atraiam e traiam, a chamavam para o fundo de um mar escuro e intragável. Olhos negros e que de tão negros que eram ficava difícil saber o que a esperava do lado de dentro. Olhos negros, acho que gostava disso. Ficava estagnada, paralisada, apenas os olhos e o som das ondas noturnas se arrebentando nas rochas, igualmente negras e sóbrias, igualmente duras e velhas. Molhadas de sal como seu rosto moreno se molhava quando o mar de ébano transbordava. Por debaixo das sobrancelhas grossas, sobrancelhas selvagens, um quê de descuido, de desleixo. Ah, ela passaria a eternidade ali, sem dúvida. Só para entender, só para observar, mergulhar naquele oceano de confusão que era ele, que eram seus olhos perdidos e embriagantes.

Onde estou?

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