4 de fevereiro de 2014 § Deixe um comentário

Engraçado como no fim a gente acaba voltando a ser aquilo que era no começo.

31 de dezembro de 2013 § Deixe um comentário

O fim do ano é uma época muito bonita – e eu digo isso sem ironia nenhuma. Juro que guardei meus textos hipócritas e bittersweet pra um outro momento de uma outra vida, porque hoje eu quero acreditar num futuro melhor, num mundo melhor, repleto de pessoas melhores e álbuns novos da Taylor Swift. Então vamos fechar os olhos por uma noite, poupar esses dedinhos que vos escrevem e também seus óculos de leitura para vista cansada, e fingir que vale a pena. Porque talvez valha. E talvez eu só seja pessimista todo o tempo. E talvez hoje eu esteja realmente agradecida por tudo que esse ano representou. Que 2014 traga sentimentos bons, textos bons, comida boa. Alguém lê isso aqui? Um bom ano novo pra tu. 

só pra constar.

17 de novembro de 2013 § 1 comentário

Eu fiquei pensando no que escrever mas não consegui encontrar nada. Essa coisa de metamorfosear sentimento em palavra é mesmo meio estranha assustadora e engraçada. E meio bonita, até. Mas tem dias (que podem virar semanas que podem virar meses e que podem virar anos e até quem sabe décadas) em que não dá. O corpo tá seco, o sulco foi extraído até a última gota. Não sei pelo quê, ou por quem. Talvez sejam as paixões não vividas, os filmes não vistos ou os livros que vão se enfileirando nas estantes, cobrindo a madeira marcada da mesa e se empoleirando nos cantos empoeirados do quarto. Independente disso, a vontadezinha de se deitar sobre o papel vai crescendo mansa lá dentro, chamando durante a noite. Não adianta. O corpo tá sequinho.

É possível que a inspiração (ou seja lá o nome daquilo que dá no coração) volte com o frio, com a fome ou com a voz. Com um livro bom. Enquanto isso vou lá fazer minha lista de coisas pra fazer (:

sobre árvores e mãos.

28 de julho de 2013 § 2 Comentários

As linhas da palma da sua mão se parecem com galhos de árvores que vão se estendendo em direção ao infinito – e além. Ainda que eu não acredite no infinito. Ainda que você não veja nada de extraordinário em árvores.

Acho que é isso que as torna tão bonitas, na verdade – a falta e o excesso simultâneos de extraordinariedade. Não se trata apenas de um tronco e milhares de folhas, que nascem, secam e morrem. Se trata da graça. Da estranha familiaridade que há em se deitar à sombra produzida por uma árvore. Da beleza das flores e do gosto do fruto, e como tudo isso – toda essa opulência que cresce metros para cima e para os lados, e vive tanto tempo a ponto de se tornar uma antiguidade – surge de uma semente menor do que as pupilas do seus olhos, quando se encolhem. Árvores são como pessoas, você sabe. Sabe também que eu explicaria, se estivesse com vontade. Mas eu ando sem paciência para explicações e discursos demasiado longos – prefiro que você não entenda e apenas finja, aceite. Aceitar faz parte da vida; é um ato nobre.

Gosto de pensar que você tem uma árvore na palma da sua mão.

Eu não sei até que ponto acredito em destino, e acreditar que alguém tenha a capacidade de lê-lo nas entrelinhas dos seus dedos vai além do que minha imaginação pode tolerar. Mas eu leria cada palavra – e me deliciaria com cada acento, cada vírgula. Saborearia cada hiato, circulando com a língua as interrupções desnecessárias e o parágrafo perdido no texto. Distorceria a história, inverteria a ordem dos fatos, modificaria os personagens. Juraria de pés juntos que vi meu nome escrito entre uma linha torta e uma curva perfeita – você não sabe? É sinônimo de amor eterno (amor).

Antes de te amar por completo, amarei primeiro as suas mãos. As suas unhas. Os riscos que se assemelham a linhas de costura, remendando seu corpo cautelosamente, na tentativa (que desta vez não falhou) de construir o ser humano ideal. Amarei primeiro os seus galhos de árvore, que se transfiguram e se tornam rios repletos de fúria, correndo depressa em direção ao final – e eu estou ainda nos meus primeiros erros, nos meus primeiros passos. Amarei cada detalhe, cada lágrima de suor. Amarei cada pedido de desculpa e cada explicação – e cada exigência, cada contradição. Amarei cada fruto, cada flor. E cada espinho. Por que não? Amarei cada gesto que delas vier, amarei a forma como você reproduz, em desenhos, o que diz. Porque tudo o que você construir é parte do que você é, e tudo o que você toca eu quero que seja uma parte de mim. Quero que seja eu.

Antes de te ver robusto, forte, quero conhecer as veias delicadas por onde correm seu sangue e sua humanidade. Quero olhar de perto o seu silêncio, porque assim seus gritos não me assustarão. Quero saber que por trás dessa camada de súber há uma existência sensível e aflita, e um homem que rejuvenesce e se torna menino com o passar dos dias. Quero ir à origem, à semente. Segurá-la com cuidado por entre os meus dedos – e quero que seus olhos tão tristes e doces os leiam também. E no meio de tanto requerimento, quero também abandonar a primeira pessoa do singular – quero que os nossos textos se citem, misturem, plagiem. Que nossas linhas se cruzem, confundam, fundam – mas não findem. Quero que nossos dedos se entrelacem, porque depois será a vez dos nossos braços, das nossas pernas, dos nossos lábios. E quando nossos corpos forem como um, nossos destinos também o serão; e eu lerei sobre o nosso futuro nos seus olhos, não em suas mãos.

 

 

28 de julho de 2013 § Deixe um comentário

numa página aleatória
as vírgulas corriam soltas
as palavras escorriam tortas
os versos compunham História
numa esquina escura
na cidade de Vitória
os lábios se tocavam rubros
e a pinta na saboneteira.
dois pares de olhos
e vozes frias e doces
– qual é mesmo o seu nome?
numa esquina escura
sem escapatória
os dedos se escapavam, tímidos
– Adriana
e ao som do mar puro e à luz do céu
(escuro)
a noite foi recitando os versinhos de Quintana

o poeta dos versos e olhos e sobrenome bonitos

28 de junho de 2013 § 1 comentário

“Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?”

                                        – Razão de ser, Paulo Leminski

 

Gostei.

28 de abril de 2013 § 4 Comentários

só passei pra tirar o pó.

(barulho de aspirador)

espirro.

uma barata atrás do último post. pisa, pisa, pisa. expressão de nojo. curiosidade de G.H.

a barata mexe as antenas – não morreu e nem vai: sobrevivem sem a cabeça por cerca de um mês.

jogo a barata para a outra janela.

fui-me.

esperem aí até minha pretensão de inspiração voltar (: