entre a minha boca e a tua há tanto tempo, há tantos planos

23 de fevereiro de 2012 § Deixe um comentário

É que por muito tempo me limitei a te olhar e fingir que não me importava, te criticar pelas costas (só pelas suas, costas largas e gigantescas, as muralhas brancas que me impediam de ver o sol, porque para os outros eu falava olhando nos olhos, a expressão se contorcendo conforme eu me recordava dos fatos), praguejar enquanto você infestava os corredores com suas ‘laranjidades’ habituais e desejar que uma casca de banana misteriosamente cruzasse seu caminho, essa sua carinha pálida se estatelando no chão. Mas agora eu vou cravar meus olhos caídos e chorosos nos seus, esses globos marrons emoldurados pelos cílios cor de manhã. Agora eu quero estar de pé, diante de toda sua autossuficiência, e ver até onde seu tamanho te ergue, Golias. Agora somos nós dois, sem boatos, sem mentiras, sem deduções. Jogo limpo, cartas na mesa, roupas sujas penduradas no varal, sua língua envenenada saltando pra fora da boca que de repente não me atrai mais. Agora sou só eu e minha coragem, nada de segundas intenções, nada de estratégias, vamos nos sentar aqui e admirar a verdade enquanto essa se alastra pelas nossas veias. Eu não te amo mais.

(P.S.: Mas, se você me quiser de volta, ou pra uma meia-volta, quem sabe, sou do tipo que perdoa e esquece.)

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